Existe uma coisa que eu sempre gosto de conversar com meus colaboradores: o prazo. O prazo não é uma coisa que existe por que somos chatos. Prazo é algo que deve ser seguido. Aquele dia que o editor marcou para a matéria ser entregue deve ser respeitado acima de tudo, pois ele conta com seus textos para dar seguimento para a revista que ele edita. O prazo é para mim uma coisa muito importante e eu comecei entender o significado desta palavra já na época que eu era freela da SDP. Eu acreditava que o Fabão deveria me achar um chato por sempre estar passando o status dos meus trabalhos. Mas hoje vejo o que eu estava fazendo era uma coisa importante.
Atuar com datas e horas é coisa corriqueira na vida de qualquer um. Você marca uma consulta no médico, hora no cabelereiro, um encontro com sua (seu) namorada (namorado), hora de dormir, hora de acordar. Enfim você determina prazos para tudo, só que de maneira diferente.
Para entender melhor, vamos dar uma olhada no pai dos burros, o seu Aurélio:
Prazo. [do latim placitu 'agradado', (subetende-se dies), 'dia aprovado'.] S. m. 1. Tempo determinado. 2. Espaço de tempo durante o qual deve realizar-se alguma tarefa.
Com isso em mente tenho algumas observações práticas às quais o prazo nunca deve ser atrasado:
Imagine se o médico que vai fazer uma operação no cérebro de uma pessoa com aneurisma e demora dois minutos para estancar uma hemorragia. Será que após as complicações recorrentes à hemorragia o paciente vai falar “Tudo bem!”? Não. Talvez a vítima nunca mais fale!
Imagine se Jack Bauer demorasse apenas duas horas a mais para impedir o ataque nuclear que os terroristas estão planejando. A série 24 Horas mudaria o nome para 26 Horas? Não. Bouer terá que se esforçar para salvar a américa no prazo determinado.
Imagine um jornalista que faz a cobertura do Campeonato Brasileiro de Futebol para a Folha de São Paulo. Você acha que se ele atrasar o texto o editor esperaria um dia para colocar a goleada do São Paulo no 20 de Americanópolis no caderno de esportes? Não. Simplesmente a matéria cairia definitivamente.
Imagine se um político tem que apresentar um projeto de lei que pode mudar a lei dos impostos para o mercado de games. Ele tem até o dia tal para apresentar tal do projeto. Você acha que se acessor atrasar o texto ele vai conseguir apresentar o tal do projeto? Não. Com isso os impostos dos games podem ficar para sempre nos valores absurdos que são. Agora imagine que você é o tal do acessor, e que o editor é o tal do político. Você acha que quem vai levar a culpa pelo seu atraso? O político… quer dizer… o editor.
Imagine um jogo que você espera muito, tipo Metal Gear Solid 4, Halo 3 ou Mario Galaxy. Se este jogo não é lançado no prazo sabe quem é que será prejudicado? Você, o cara que quer jogá-lo. Este é o caso da revista que atrasa quando um texto falta.
O que acontece é que muitos dos redatores contribuintes atrasam os textos que devem entregar. Os motivos são inúmeros: a mãe quebrou a perna, o irmão apagou o save, o computador deu pau, abraçou mais trabalho do que é capaz de realizar.
Não adianta explicar
Infelizmente, não adianta explicar o motivo, pois o prazo já foi para as cucuias. O redator não deve trabalhar para entregar o trampo no dia do prazo, mas sim antes. Isso mesmo, antes. Você tem um texto da EGM Brasil para entregar na próxima sexta-feira? Porque não se adiantar e entregar na quinta, caso tenha os materiais de trabalho?
Tem um texto grande para entregar para a Nintendo World? Não aceite outro trabalho enquanto não terminar este, ou, se aceitar, calcule o tempo que será gasto em ambos os trabalhos.
Aceitou o detondado da SDP? Só aceite outro trabalho se tiver certeza absoluta que vai conseguir conciliar os dois tabalhose sem interfirir na entrega e na qualidade de ambos.
Analise a situação. Veja se será possível entregar os textos no dia marcado. Se não for, então combine para mais adiante. Não deixe o editor esperando pelo seu texto como um boboca.
Sabe uma coisa que dá muito certo? Um Post-it com a lista de tarefas as quais você está envolvido colado em um local visível (monitor, telefone, teclado, mousepad, etc). Organize-se por prioridade e faça um cronograma completo, com horários determinados para cada tarefa.
Para saber a prioridade, basta falar com o editor. Digamos que o Testa tenha lhe passado uma matéria que conte a história de Samus. Você tem o prazo de quatro dias para fazer a matéria. No mesmo dia o Bueno pede um review de Command & Conquer 3. Converse com ambos os editores, saiba qual revista tem prioridade e qual será fechada primeiro. Negocie o seu tempo de trabalho.
Os editores programam para receber os trabalhos passados “para fora”, eles geralmente conversam com os redatores (falo geralmente pois não sei se os outros fazem isso, eu faço).
Exemplos existem aos montes: há alguns meses, perguntei a um de meus detonadores se ele conseguiria me entregar uma estratégia no dia tal. A resposta foi: claro!
No dia tal, eu esperei o texto até as 23:00 horas e nada. No outro dia, não encontrava o rapaz no MSN, tentei ligar na casa dele e nada. O detonado foi chegar exatamente no dia do fechamento da edição. Sabe o que aconteceu? O detonado não entrou na edição. Foi uma correria insana para “tapar o buraco” do tal detonado.
Algumas vezes isso não é perceptível, em outras acontece um desastre e somos obrigados a adiar a entrada da revista na gráfica. Com isso, cria-se uma bola de neve: atrasa o dia que a revista chega às bancas, adia a chegada de dinheiro para a editora, o editor é cobrado por não ter conseguido contornar a situação que dá uma carcada no redator que atrasou o texto.
E se fosse com você?
E se este atraso fosse no dia de SEU pagamento? Você iria gostar? Imagine suas contas, aluguel, pensão do filho, sorvetinho no sábado. Tudo isso sendo prejudicado por causa de um simples atraso. Não! Nem pensar!
O fato é, respeite o prazo. Quando possível adiante. Quando não for possível cumprir o combinado, avise antes, vá atualizando o editor como está o progresso do trabalho. Mas nunca deixe chegar o dia da entrega para dizer que não vai dar para mandar o texto. Em cima da hora ninguém salva o mundo. Ou você acha que todos os editores de todas as publicações do planeta são iguais ao protagonista de 24 Horas?
Prazo também é importante porque o texto precisa ser editado depois de entregue. Se a matéria for entregue com atraso e o editor quiser que altere algo, insira mais alguma informação ou refaça o texto, pronto, danou-se! Não há mais tempo para modificações e o editor fica no dilema: ou publica a matéria do jeito que está, mesmo que insatisfeito com o resultado, ou adia a matéria para a edição seguinte e corre atrás de algo para tapar o buraco.
É necessário ter a consciência de que há todo um processo depois que o texto é entregue. O trabalho não acaba quando VOCÊ termina. O texto precisa ser editado, revisado, a matéria diagramada e assim por diante. E tudo isso demanda tempo.
Se uma só engrenagem do relógio falha, todo o resultado é comprometido.
Nossa, nunca imaginei que a coisa fosse apertada assim. Ao menos não em relação aos exemplos: 4 dias pra fazer uma matéria especial sobre a Samus, review com tempo apertado. Mesmo sabendo que não é fácil, na minha cabeça o pessoal tinha um mês pra fazer a matéria de capa, um mês pra fazer os reviews… Na verdade nunca tinha parado pra pensar direito nisso.
Dicas anotadas!
Também acho impressindível cumprir os prazos das coisas. Não sou redator mas as vezes também preciso cumprí-los de vez em quando.
Acho que o segredo como o Guerra falou é mesmo se programar direito.
Mas tem sempre aquele que acha que pode tudo.
“Professor, posso entregar o trabalho amanhã? Enqueci em casa.”
Nossa… quem foi que atrasou texto do Guerra?
Mas isso é verdade. Hoje mesmo eu entreguei um texto cujo prazo era só pro dia 12.
Por outro lado, tenho quase certeza que o prazo pro detonado que eu tô fazendo pro Testa vai estourar ou chegar muito perto disso. Tentei falar com o Testa, mas ele não me respondeu hoje no MSN. Tudo bem, ainda tem uns dias pro prazo.
Mas pq diabos eu tô falando isso aqui? Que impertinência!
Ok, eu assumo: Atraso textos. Sei que é algo extremamente prejudicial para a produção da revista, e sempre minha consciência fica pesada. Sei também que não importa para o Editor o motivo; o que ele quer é o texto entregue no prazo e com qualidade.
E aqui entram dois questionamento meus:
1) Como vocês lidam com o “triângulo do job” na produção de textos? 2) Como vocês lidam com bloqueios e falta de inspiração?
Muitas vezes eu já tentei adiantar os textos. Coletei bastante material, fiz pesquisa, conversei com pessoas… mas na hora de escrever, naquele momento específico, o texto saia horrível. Sem personalidade e fraco. Não era problema com o tema, mas sim com outros fatores que estavam acontecendo ao mesmo tempo (como trabalho ou problemas pessoais).
Nessas horas, eu dou um tempo. Faço outras coisas, tento relaxar, ouço música, assisto algo, namoro… e quando vem o ânimo, o texto vai de uma vez. Sei que vocês, jornalistas por educação, detestam esse conceito de “baixar o santo” para redigir algo.
O que vocês fazem então? Há alguma técnica de estruturação do trabalho pra redigir algo com qualidade e personalidade, mesmo quando há condições adversas? Alguma dica pessoal?
Noga,
Belos questionamentos! Acho superválido o argumento de falta de inspiração. Tem horas em que o texto não vai pra frente mesmo e, quem me conhece um pouco, sabe que valorizo qualidade sobre prazo (mas há limites, claro
).
A dica geral é: comunique-se. Se ver que algo está errado, que não vai rolar no prazo por qualquer motivo, fale imediatamente com o editor, para que ele se reprograme. Quanto antes ele souber dos problemas, mais tempo terá para fazer manobras e menos irá comprometer o resultado final. O que não dá é avisar que não rolou na última hora ou, pior, nem avisar.
De vez em quando também sinto aquele bloqueiozinho, inclusive para editar detonados (onde acho que é o que mais me causa bloqueios). O que faço é algo relativamente simples: ler alguma coisa.
Vira e mexe, quando tenho muito trabalho acumulado o bloqueio aparece, junto com ele vem a ansiedade e a pressão de ter que entregar os trabalhos. O que faço é geralmente pegar uma publicação que não seja do seguimento e vou lá para o fumódromo.
Vou lendo um texto aleatório – uma boa pedida é a RollingStone, a SuperInteressante e o jornal do metrô. Sério. Leio os textos que são feitos para um público mais abrangente, e com isso, devem ser mais claros. Estes textos sempre são interessantes e servem de inspiração. Seja uma frase, seja a construção ou mesmo a forma que o texto está montado na página.
Outra coisa para manter o bloqueio sempre distante é você ir desenhando as idéias mentalmente. Geralmente faço anotações mentais que me ajudam na hora do desespero.
[...] de 5º aniversário) recém-fechada, resolvi fazer um tópico-relâmpago. No post do Guerra “O tempo não pára“, o Lorde Noga fez um pertinente comentário citando o todo-poderoso Triângulo do Job. Para [...]